sábado, setembro 17

e o sol se despede da encruzilhada...









[photo by Dalton França]






masturbações escolares




Para que são usadas as avaliações educacionais?

Otaviano Helene


O Brasil tem um sistema de avaliação da educação bastante detalhado. Há informações referentes ao desempenho dos estudantes dos ensinos fundamental e médio e de como variaram ao longo dos anos. Temos comparações do desempenho dos nossos estudantes com os de outros países. Há dados sobre as taxas de aprovação, reprovação e evasão e sobre as defasagens idade-série ao longo de todo o percurso escolar. Conhecemos o número de alunos em cada sala de aula, o número de professores (e onde eles estão) e como são as instalações disponíveis em cada canto do país. Sabemos o nível de formação e de remuneração dos professores bem como suas cargas horárias de trabalho.

Além dessas informações, há muitas outras, abrangendo os diferentes sistemas educacionais (privados, municipais, estaduais e federal) e as diferentes regiões do país. Há, ainda, informações complementares, fornecidas por vários organismos, o IBGE entre eles, tais como a escolaridade média da população, o número de analfabetos e como eles se distribuem pelo país e pelas diferentes faixas etárias, como renda e escolaridade se relacionam, o efeito da escolaridade da mãe na saúde e educação dos filhos etc. Sabemos como as condições socioeconômicas afetam a evolução escolar das crianças e jovens e quais os custos diretos e indiretos induzidos pela frequência à escola, permitindo-nos dimensionar a necessidade de instrumentos de gratuidade ativa que compensem esses custos quando eles não podem ser suportados pelas famílias ou pelos responsáveis. Conhecemos as carências de profissionais em cada região do país, seja nos serviços, na indústria ou na agropecuária. Sabemos como os investimentos educacionais afetam o desempenho dos estudantes e as condições de trabalho dos professores. Além disso, os resultados de todas essas avaliações e dados estatísticos são analisados detalhadamente por diversos especialistas.

Enfim, temos todas as informações necessárias para construir um sistema educacional adequado às demandas, às possibilidades e aos anseios da população e localizar e corrigir os problemas existentes. De fato, nem precisaríamos de todas aquelas informações para agir. Muitos países construíram ou corrigiram seus sistemas educacionais com muito menos informações do que temos.

Se os problemas educacionais que temos continuam existindo, não é porque não os conheçamos, ou não saibamos como corrigi-los ou porque faltem ao país os recursos financeiros, mas, sim, por uma decisão política. Raramente alguma ação ou proposta por parte dos governos, em todos os níveis e tanto nos âmbitos dos executivos como dos legislativos, é embasada nas informações e análises educacionais de que dispomos. E quando isso é feito, usam-se informações muito parciais e analisadas de forma incompleta ou mesmo errada, apenas para dar àquela ação uma aparência de seriedade. Outras vezes, as ações governamentais estão em completo desacordo com os fatos e análises disponíveis, sendo fundamentadas em mitos ou mentiras: a privatização do ensino superior, baseada na falsa incapacidade econômica do país e na maior eficiência do setor privado é um exemplo disso. Não raramente, ainda, justifica-se um novo processo de avaliação sem examinar e usar os resultados já existentes, criando a ilusão que é ela, a avaliação, que irá resolver o problema. Ora, é evidente que a avaliação por si só não resolve nenhum problema, assim como o termômetro, por melhor que seja, não cura doença alguma.

As avaliações têm sido usadas para culpar estudantes, professores, diretores ou pais e responsáveis, sem que os problemas apontados sejam enfrentados. Ou para punir professores cujos alunos não atingiram um determinado desempenho. Ou, ainda, para produzir ranqueamentos, informando os consumidores – já que a educação foi transformada em uma mercadoria, que cada um adquire na medida que seu poder de compra permite – quão boa ou ruim é a mercadoria que seu poder aquisitivo permitiu adquirir. Talvez falte apenas uma avaliação a ser feita: quão caro – social, cultural e economicamente – a população, especialmente sua parte menos favorecida, pagará no futuro pela má educação que o país está hoje oferecendo à enorme maioria de suas crianças e de seus jovens.



Otaviano Helene é professor do Instituto de Física da USP, ex-presidente da Associação de Docentes da USP e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas.


terça-feira, junho 14

labor


O mineiro trabalha em silêncio...



para ouvir a chuva fecundando o seu trabalho!




[Escrevi em Cruzília-MG # 2008]


quarta-feira, maio 25

postagens



Autor: Antonio Carlos Barro [facebook.com]
Convencionou-se dizer que o General De Gaulle disse essa célebre afirmação: 'o Brasil não é um país sério'.
O Manual de Redação do Jornal Estadão de São Paulo ensina: "Não há nenhuma prova de que o general tenha dito que ‘
o Brasil não é um país sério’.
Evite a citação, portanto."
Mas o Brasil é sério? Não pode ser! ..............................................................
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Se De Gaulle não disse a famosa afirmação, deveria ter dito.










Autor: Dalton Araújo Galvão de França [www.facebook.com]
Convencionou-se dizer que o Brasil disse esse célebre devaneio: 'além de sério, sou justo'.
A Ética, a Justiça, a Cidadania e a Democracia ensinam: "Há inúmeras provas de que o Brasil tenha dito que 'além de sério, sou justo'. Não evite a citação, portanto."
Mas o Brasil não é justo? Pode ser! ..............................................................
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Se o Brasil disse o (quase) célebre devaneio, não deveria ter dito.




terça-feira, maio 10

labaredas de são jorge




[by Dalton França in cantinhodacurvadocórgo]


domingo, março 13

onda de porto



Há tempo muito
Já desajeixada,
Fica a humanidade
Logo espantada
Quando louco evento
Surpresa apresenta
E rotação terráquea
Vidas re(des)orienta.






[Escrevi em Cruzília-MG # 2011]





sexta-feira, março 11

roda viva


Roda, roda... vida rodada.

Roda, vida! E seja roda viva.







[Moira França; 2011]