Apesar de ter a sua origem veementemente creditada à Grécia da Antiguidade, vale ressaltar que o Teatro – como recurso instintivo de expressão, comunicação e diversão – manifestou-se espontaneamente nas mais variadas regiões do planeta, no seio dos mais primitivos agrupamentos humanos e em diferentes momentos históricos. Descobertas arqueológicas datadas de aproximadamente dois mil e quinhentos anos antes da dramaturgia grega florescer para a civilização ocidental reconheceram evidências de encenações criativas (previamente elaboradas) no Egito, especificamente destinadas a cultuar os deuses Ísis e Osíris, a ilustrar cerimônias fúnebre-religiosas e a entreter faraós. Um milênio depois, na dinastia Hsia, o Teatro estava incorporado à cultura chinesa, exaltando conquistas militares, reverenciando divindades e repassando tradições populares. Concomitantemente, muitas nações desenvolveram modalidades teatrais próprias. A Coréia foi uma delas. Outra foi a Índia, inspirada nos poemas épicos Mahabharata e Ramayana. Entretanto, somente no Século de Péricles (quinhentos anos antes da era cristã) o Teatro recebeu roupagens semântica e ortográfica.
A palavra Theatron derivou-se da combinação do verbo ver com o substantivo panorâmico, e resultou lugar de onde se vê. Além disso, os gregos foram os primeiros a tecer-lhe uma concepção conceitual respeitada, estudada e praticada até os dias atuais.

Inicialmente, apenas as declamações em coro integravam as homenagens a Dionísio: o deus que, segundo sua mitologia, ensinara a humanidade a cultivar a uva e aventurar-se na euforia provocada pelo consumo do vinho. Até que um ator chamado Thespis rompeu com esse modelo e passou a protagonizar os esquetes trágicos que escrevia, num palco improvisado em sua carroça. Viajando por Esparta, Corinto, Megara e Epidauro, despertou a simpatia da população, incentivou outros atores e estimulou a formação de caravanas cênicas.
O repentino sucesso conquistado pelo autor fez com que o Teatro rapidamente adquirisse status de principal entretenimento popular. Preocupado, o ditador Psístrato instituiu um concurso a fim de aproximá-lo do governo ateniense. Dessa maneira poderia manipular as idéias defendidas pelos heróis das tragédias e induzir o povo a identificar-se com os interesses da ditadura. Thespis venceu o primeiro, dos muitos concursos que ainda foram realizados. O Estado obrigou as famílias ricas a custear novos espetáculos e construir espaços apropriados para os eventos.
O Teatro tomou proporções estrondosas, a ponto de passar a nomear também a trama que é vista e a linguagem utilizada para se fazer ver. A velha carroça cedeu lugar para auditórios grandiosos, ao ar livre, com delimitações estrategicamente definidas: o PALCO (misto de coxia e camarim, onde as cenas eram preparadas), a ORQUESTRA (arena circular na qual efetivamente os atores e o coro atuavam) e a ARQUIBANCADA (assentos edificados obedecendo a inclinação de uma colina).
As tragédias de Ésquilo, Sófocles e Eurípedes enalteciam o confronto dos homens com as adversidades do destino e evidenciava a nobreza dos sentimentos, enquanto Aristófanes, Menandro, Posidipo e Dífilas satirizavam em suas comédias o comportamento hipócrita e mesquinho da aristocracia daquela sociedade. Em menos de um século, a evolução dessa estrutura levou o Teatro para além das fronteiras helênicas.
Importado pelo Império Romano, a princípio foi apenas copiado. Quando conquistou a simpatia das camadas populares e da burguesia, construiu identidade românica e ganhou espaço até nos intervalos das lutas de gladiadores. Dois “imitadores” das comédias gregas se destacaram: Plauto e Terêncio. Já a tragédia romana ficou caracterizada por obras que foram mais lidas do que encenadas. A modalidade tem no filósofo Lúcio Aneu Sêneca seu expoente e sua maior curiosidade. Em sua vida pessoal, Sêneca enfrentou três tragédias reais. Mais do que prestígio, Roma forneceu ao Teatro o passaporte que possibilitou prosseguir sua viagem pela História.

Durante grande parte da Idade Média, ele resistiu às severas perseguições empreendidas pela Igreja Católica, a mesma que depois, incoerentemente, passou a usá-lo para persuadir conversões às suas doutrinas. No Renascimento multiplicou-se pela Europa, legando talentos como William Sheakespeare (Inglaterra), Molière e Pierre Corneille (França), Lodovico Ariosto e Niccolò Machiavelli (Itália), Lope de Rueda (Espanha), Gil Vicente (Portugal) e Hans Sachs (Alemanha).
A partir do Iluminismo a cultura teatral renovou-se e expandiu-se pelo mundo moderno: atravessou as turbulências dos anos 1800, surpreendendo, avançando, recuando, desdobrando-se, adaptando-se e reinventando-se; e retratou, com muita coragem, as transformações políticas, sociais, éticas, culturais, artísticas, filosóficas e educacionais dos últimos cem anos.
Enfim, o Teatro está aí. Sobrevivido, revitalizado e apto a encarar os desafios que certamente virão com este novo milênio.

Tópico 1 do Capítulo 1 da monografia UNIPAC-CDD 792.021
"A contribuição do teatro para o sucesso cognitivo na educação pública de Minas Gerais"
Autoria: Dalton Araújo Galvão de França